Na contramão da hiper exposição, o jardim inventa[ria]do volta-se para coisas miúdas, íntimas e espinhosas. São plantas que seduzem tanto pela exuberância, pela beleza natural, pela delicadeza e afeto material contidos nas embalagens quanto pela hesitação, pelo gosto do risco, pela curiosidade, desconfiança e desconforto em relação a um possível envenenamento agridoce; pelas insinuações de corpo, sexualidade, malícia, proibição e afeição relacionados aos seus nomes; seduzem pelas ambivalências enfim. Nesse sentido, ao jardim interessa a possibilidade de um exercício de imaginação que permita reconfigurar, a partir do terreno fértil das ambiguidades, a existência das coisas e a nossa própria existência, além da reconfiguração dos sentidos de veracidade, objetividade, certeza e legitimidade contidos também na noção de catalogação.

                                                     [Amanda Tavares - primavera de 2020]

Pequeno jardim de delícias

2019 

Aquarela e grafite sobre papel algodão

26x18cm cada

11º salão nacional victor meirelles

museu de arte de santa catarina - florianópolis - SC

2022